16 October 2012

Prologo

Fazem 11 anos e 1 mes que aconteceu o atentado do Afeganistão contra os Estados Unidos, onde foi um dos maiores desastres do século. Na época, eu estava com 3 meses e 11 dias morando em Londres e estava trabalhando num lugar importante da cidade. Detalhes desse particular dia, vou contar mais a frente. O que realmente aconteceu. Tanto à minha volta como também o que aconteceu à cidade de Londres. Gostaria de voltar desde do início ao que eu chamo de ” A saga de um piauiense rumo a europa “. Mencionarei desde o dia que decidi a fazer a essa grande viagem, dos planos, da ação, da viagem, da chegada, da imigração, do medo, dos receios, das descobertas, dos dias bons e ruins, do primeiro dia, da primeira semana, do primeiro mes, até os dias de hoje. Eu vou falar sobre a cultura, costumes e lugares europeus, mas é a Inglaterra que vou focalizar mais, falando da integração da cultura e costumes ingleses em geral. na minha vida e na dos brasileiros que aqui vivem, enfim na vida de um imigrante estrangeiro em geral. Afirmo e reafirmo que essa experiência aconteceu em 2001 e que depois de ataques terroristas e bombas, as leis britânicas mudaram drasticamente. As portas fecharam! Todo brasileiro que quiser passear na Inglaterra tem grandes chances de conseguir entrar como tem grandes changes de ser deportado sem se quer ver os ponteiros do relogio do Big Ben. A triagem é bastante rigorosa atualmente. Quem quiser estudar têm que aplicar para o visto de estudante no país de origem. Quem quiser passear tem uma serie de procedimentos basicos que o turista deve tomar. Como exemplo, a passagem de volta, carta de trabalho, etc.

ps1: Antes de viajar, O meu patrao na epoca me disse: Deixe de besteira. compre um carro em vez de gastar com viagem. Moral da estoria: Eu nao comprei o carro! prefiri viajar. meu patrao morreu e nao levou o carro dele com ele no caixao. Eu continuo vivendo e quando morrer levarei comigo uma colossal experiencia e conhecimento.

ps2: Entendo. Pessoas ficam felizes no lugar de origem. Nao precisam viajar. Ja encontraram o que procuram da vida. Sao felizes.

CAPITULO 2 The dream Como um sonho de uma criança curiosa e inquieta, eu sempre quis conhecer o outro lado do oceano. Considerando o ponto de referência “Piauí”, eu queria viajar no sentido leste, em particular. Minha mãe era professora de Estudos Sociais e Geografia e tínhamos em casa, vários livros e quando eu olhava no Mapa Mundi, meus olhos fixavam na parte europeia, e em meus pensamentos, eu ficava fascinado e tentava imaginar a minha chegada na minha velha terra prometida. Detalhe: Eu não vim de caravelas! Do sonho à realidade, não foi tão díficil. Apenas 4 anos de inteira dedicação. Eu passei 1 ano trabalhando os 3 turnos em 3 lugares diferentes recebendo 3 salários. O turno da noite era o pior. Terminava o trabalho 1 da manhã. Juntar o dinheiro era apenas um pequena grande parte do processo. Mas, o mais importante mesmo, era ter um alguém na chegada para receber-me. E olha que sorte eu tive! eu tinha alguém, mas não era apenas um “alguém”, era um amigo. Foi através desse amigo que realmente que tudo se concretizou. Eu sonhava com a Europa como um todo. De Portugal até o leste europeu. Mas o meu amigo morava em Londres - Inglaterra. E ele mostrou-me o caminho britânico. Os primeiros passos, o que fazer(tirar o passaporte brasileiro e comprar a passagem ida-volta), o que levar(o mínimo possível), como fazer(mostrar a imigração que você é turista) e me falou algo que eu considero importante. Se eu não gostasse ou não me adaptasse, eu poderia ao menos, voltar falando inglês. Fiquei otimista com a possibilidade. Comecei a minha pesquisa na internet a todos os sites que se referia a Londres. Até parecia que tudo estava destinado. Quando resolvi comprar a passagem, um amigo trabalhava na Transbrasil e conseguiu uma passagem para Lisboa ida-volta com um generoso desconto. No dia tão sonhado da viagem, o meu pai falou e enfatizou uma das frases mais importantes da viajem: Lembre-se, se não der certo, você tem uma casa pra voltar. Isso me marcou! A passagem internacional era Fortaleza-Lisboa-Fortaleza. Para economizar dinheiro, resolvi sair de Teresina-PI, de ônibus. De uma forma nostágica, meus familiares e amigos foram à rodoviária dar o “goodbye”. Era 15 de maio de 2001. Na despedida, não chorei. Queria ser forte. Quando entrei no ônibus, foi difícil me conter. Duro deixar a quem você ama para trás. Foram-se 9 horas de uma viagem turbulenta atravessando as primeiras fronteiras e uma serra perigosa chamada “Serra da Ibiapaba” entre o Piauí e o Ceará. Cheguei em Fortaleza exausto. Apreensivo, entrei no saguão do aeroporto de Fortaleza tremendo, mas determinado. Afinal, tinha jogado tudo para o alto. Os pensamentos confusamente misturados de sonhos, receios e arrependimentos, vice-versa. O meu amigo da Transbrasil estava presente. Os anjos começaram a criar asas em torno de mim e me proteger.

A viagem de avião foi um desastre …. >>>>

CAPITULO 3 "Turbulenta viagem" Na sala de espera do aeroporto de Fortaleza, estava eu, pensando num turbilhão de coisas. E foi exatamente nessa viagem, é que eu descobri que, em uma de muitas, eu tinha um determinado tipo de paranóia. Daquelas do tipo que você verifica duas vezes se fechou a porta de casa, ou se passou a chave na porta ou se você desligou o ferro depois de ter saido de casa. Então, antes de entrar no avião, decidi tomar um café. Fui a lanchonete. Pedi o café e aproveitei para me despedir da culinária brasileira: do pão de queijo e da coxinha. Tirei minha carteira de dinheiro, cartões de crédito e documentos do bolso da calça. Paguei a conta e fui para a fila de entrada do avião. Entrei, e logo em seguida, achei minha poltrona. Peguei meu livro pra ler, sentei, apertei o sinto de segurança e relaxei. Quando o avião começou a decolar, eu, na minha iniciada e benigna paranóia, apalpei o bolso de trás da calça para ter a certeza que minha carteira de dinheiro estava segura. Para a minha surpresa e meu desespero, ela não estava. O coração começou a palpitar forte. Começei a suar frio. Eu não podia me levantar. O sinto de segurança me prendia ferozmente afivelado e aeronave ainda estava decolando na posição diagonal. Dava para ver a cidade de Fortaleza e o mar azulado junto dela, pela janelinha. Eu imaginei: “Será se eu deixei a carteira no balcão da lanchonete onde eu tomei o café?” e num ato quase de pânico, deu uma profunda vontade de gritar dizendo : - Parem o avião, pelo amor de qualquer coisa! Eu esqueci minha carteira na lanchonete. Mas nao, fiquei calado em meu silencioso ataque de pânico. E num piscar de sílios, veio a guilhotina virtual e final no meu pescoço e pensei: O que farei na hora que imigração portuguesa me pedir os documentos(identidade, CPF, título, reservista)? Ai veio a culpa. Tentava encontrar meios de colocar a culpa em alguma coisa. Primeiro pensei: Porque eu não coloquei a bendita carteira na mochila, ou na pochete onde junto, estava o passaporte, a camera fotográfica e os travellers checks, ou mesmo ter segurado na mão Poxa vida! Será que tem quer ser difícil assim. Para eu ficar menos mal e dá uma de coitado na minha própria estória, eu resolvi colocar toda a culpa na coxinha e no pão de queijo que eu comi. Pronto, resolvido a minha culpa, mas eu precisava da carteira, afinal como eu ia me virar no meu mundo novo de fantasias de pura realidade? Passado instantes, a aeronave se posicionou em posição horizontal,. em cima das nuvens flutuando. O piloto avisou pelo interfone que poderíamos desafivelar os sintos. Eu sabia que não precisava olhar na mochila ou na pochete. Não estaria em nenhuma delas. Corri como Barrichelo, atrás da aeromoça. O meu coração quase pulando goela acima. Falei o que estava acontecendo e prontamente ela disse que ia ajudar. Que ia pedir à cabine para ligar para o aeroporto e perguntar se tinham achado uma carteira no balcão da lanchonete. Que era para eu ficar calmo, e me posicionou na poltrona dela. Deu-me água e pediu para eu respirar fundo. A única coisa realmente que eu queria era a minha carteira. Mais calmo, voltei a minha poltrona. Enfim, eu não podia fazer nada. E nem se eu quisesse, Lá estava eu, pairando no imenso céu, dentro de uma lata suspensa no ar, no meio do oceano atlântico, há 500 mil pés de distância e o pior de tudo, sem identidade. Mas, como eu sou uma pessoa otiminista, eu não me deixei abalar mais do que já estava. Resolvi aproveitar a viagem. Era a hora do almoço. Pedi vinho branco. Era amargo! Até pensei em pedir um vinho “santa felicidade” que é mais docinho, mas seria indelicadeza com o vinho servido a bordo. Bobeira! Era amargo, mas delicioso. Almocei um peixe sem sal e salada mixta ou "mística"? Sem comentários. E pedi mais vinho. Eu queria me embebedar para esquecer a tragédia da carteira. Na quinta garrafa de vinho, o avião deu uma turbulência tão grande que virou o copo cheio de vinho nas minhas pernas. E para minha maior surpresa, e um sorriso amarelo de felicidade e vergonha, senti que a minha bendita carteira, toda molhada de vinho, estava no bolso da frente da calça e não como de costume. Eu sempre colocava minha carteira no bolso de trás. Para comemorar, eu pedi mais vinho. E num passe de uma mágica bebedeira, a viagem, de um desastre virou um aprendizado. Adormeci. Acordei com o vinho branco amargo na boca e a experiencia! Viva!

Algumas horas depois, era a hora de enfrentar a imigração portuguesa e quando chegou minha vez de mostrar os documentos, eu ...

Capitulo 4 Chegando em Lisboa Eram sete horas da noite, quando o avião finalmente pousou no “Lisbon Portela Airport” (Aeroporto de Lisboa). Depois do porre do vinho, e ter achado minha carteira, eu dormi como um anjo em cima de um algodão doce. Estava revigorado para a nova etapa: enfrentar a imigração portuguesa. Como todo marinheiro de primeira viagem, eu não sabia realmente para onde ir. Resolvi seguir uns brasileiros que pareciam ser bem confidentes. Foi

pedronetukO Forasteiro • Opuss № I